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Como as guerras impactam o agro brasileiro?

Tempo de Leitura: 2 min

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*Por Luana Rett Paccola | Analista de Inovação

 

Estamos vivendo o maior momento de tensão geopolítica no mundo desde o fim da Guerra Fria em 1991.

Na última década temos assistido uma escalada de conflitos acontecendo.

Grandes guerras como Ucrânia x Rússia, EUA e Israel x Irã têm impacto em todo mercado, incluindo o agronegócio.

E como ele é afetado no Brasil?

Em guerras, além da desestruturação das cidades e da vida de pessoas, há um grande impacto na área econômica.

Os investimentos dos países em guerra e aliados são realocados para a área militar, enfraquecendo outros setores fundamentais.

Também são impostas sanções econômicas e comerciais por outros países em retaliação ao movimento de guerra.

Mas se o Brasil não é aliado de nenhum dos países em guerra como ele pode ser impactado?

O impacto econômico não é concentrado só nas áreas de guerra, ele se dissemina por todo o mundo, uma vez que vivemos o mercado globalizado, ou seja, possuímos livre comércio entre os países.

Hoje, por exemplo, o Brasil tem dependência de fertilizantes nitrogenados da Rússia.

País este que está em guerra com a Ucrânia desde 2022, por uma disputa territorial.

A Rússia logo recebeu sanções financeiras e comerciais de outros países, o que reduziu a oferta disponível de produtos, como o caso dos fertilizantes nitrogenados.

Imediatamente após o início do conflito, em 2022, o preço da ureia chegou a subir cerca de 46% no Brasil.

Isso encareceu a produção do agricultor e causou prejuízos a cooperativas e revendas devido a volatilidade extrema de preços.

Hoje a oferta de nitrogenados está estável no Brasil, mas os preços nunca voltaram a ser igual ao do pré-guerra.

Em fevereiro deste ano, iniciou-se a guerra entre EUA e Israel x Irã, motivada principalmente por um não acordo sobre a produção de armas nucleares no Irã.

A região do Irã e Iraque é estratégica para rotas de comércio e do petróleo, a partir do Estreito de Ormuz.

Desde a escalada das tensões envolvendo este estreito, os preços do petróleo acumulam alta superior a 40%, em meio à forte volatilidade do mercado.

Tensões na região afetam rotas marítimas, que além do aumento preço do petróleo, devem aumentar seguros e custos logísticos, e diminuir a oferta de produtos, aumentando custo de produção e impactando no bolso do produtor.

O Brasil mantém relações comerciais de produtos agrícolas com o Irã, que importa principalmente milho de nosso país. Por outro lado, o Irã é um fornecedor importante de ureia para o mercado brasileiro.

Esse cenário incerto pode gerar volatilidade nos fluxos comerciais e nos preços de fertilizantes nitrogenados, o que, por sua vez, tende a pressionar os custos de produção no setor agropecuário.

Ainda, em períodos de tensão geopolítica, investidores tendem a migrar para “ativos seguros” (como ouro, dólar e títulos), o que pode aumentar o dólar frente ao real, encarecendo a importação de fertilizantes e insumos e tornar mais voláteis os preços de commodities agrícolas negociadas em bolsa.

São inúmeros os impactos diretos e indiretos das guerras.

Para o Brasil, a atenção deve estar principalmente sobre o risco da alta dependência de importação de fertilizantes.

Embora existam vulnerabilidades estruturais, especialmente na área de insumos, o agronegócio brasileiro tem conseguido manter competitividade e relevância no mercado internacional mesmo em cenários de elevada instabilidade global.

Para fortalecer nossa resiliência, de produtores, cooperativas e fornecedores é fundamental estreitar laços e investir continuamente em adaptação, inovação e eficiência dentro do nosso mercado.