Histórias que Conectam

78 anos de COPLACANA: Família Beltrame mantém vivas as raízes e prepara o campo para as próximas gerações

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No Sítio Bela Vista, em Mombuca/SP, a família Beltrame representa a continuidade de um legado familiar.

A propriedade, adquirida em 1940 por José Beltrame Sobrinho, atravessou décadas de mudanças na produção agrícola e permanece como símbolo de uma história construída por diferentes gerações.

Hoje, José Alceu Beltrame e sua filha, Silvia Beltrame, compartilham a responsabilidade de administrar a propriedade e preparar o futuro da família no campo.

José Alceu nasceu e foi criado no Sítio Bela Vista.

Filho caçula de oito irmãos, cresceu em uma época em que o trabalho agrícola dependia principalmente da força humana e da tração animal.

Antes da chegada dos tratores e das tecnologias que hoje fazem parte da rotina rural, o cultivo exigia muito esforço e a participação de toda a família.

Quando seu pai adquiriu a propriedade, a produção incluía culturas como milho e feijão, além de vassoura.

Com o passar dos anos, a cana-de-açúcar também passou a fazer parte da atividade, e o trabalho no campo se tornou parte inseparável da vida familiar.

“Aos 10 anos eu ia na escola e voltava para o campo, não tinha tempo para brincadeira. Nós colhíamos cana, era tudo familiar, manejo, plantio, colheita, adubação”, relembrou José Alceu.

A rotina era intensa. Sem herbicidas, o controle das plantas invasoras “era feito manualmente, com o facão”, como ele disse.

O plantio, o manejo e a colheita exigiam dedicação diária, e cada integrante da família tinha sua participação nas atividades da propriedade.

Ao recordar esse período, José Alceu destaca a dimensão das transformações vividas pela agricultura.

A mecanização e a chegada de novas tecnologias modificaram a maneira de produzir, ampliaram as possibilidades de trabalho e trouxeram mais eficiência para o campo.

Depois de décadas dedicadas à propriedade, José Alceu vê na participação da filha Silvia uma oportunidade de manter viva a história iniciada por seu pai.

Das duas filhas, uma mora em Porto Alegre/RS, enquanto Silvia permanece ao seu lado na administração da propriedade.

O envolvimento dela com o campo começou ainda na infância, quando acompanhava a rotina do sítio e observava de perto o trabalho realizado pela família.

“Estou feliz que tenho alguém para dar continuidade. Desde criança ela teve iniciativa nessa área”, afirmou José Alceu.

Para ele, a sucessão representa a possibilidade de transmitir às próximas gerações os conhecimentos, os valores e a dedicação que sustentaram a propriedade ao longo de décadas.

O produtor também reconhece que o trabalho rural se tornou cada vez mais complexo e que a união entre pessoas e instituições é fundamental para enfrentar os desafios do setor.

“Hoje, não se trabalha só. Precisamos de comunidade, por isso veio a COPLACANA e toda sua expansão ao longo dos anos”, destaca.

Para Silvia Beltrame, a relação com o campo começou muito antes de assumir responsabilidades na administração da propriedade.

A infância foi marcada pelas brincadeiras no sítio, pelos passeios de bicicleta e pelo contato com a rotina agrícola.

Ao longo dos anos, ela acompanhou mudanças importantes na produção, como a transição da cana queimada para novos sistemas de manejo e a chegada de máquinas e equipamentos que transformaram o trabalho rural.

Cada avanço representou uma oportunidade de melhorar a atividade e preparar a propriedade para novas demandas. Silvia também buscou formação para aprimorar a gestão e incorporar ferramentas capazes de apoiar as decisões do negócio.

“Fiz formações para administrar melhor a propriedade, implementamos IA para facilidade e visibilidade de dados. Transformamos o que temos no campo em números”, explicou.

A utilização da inteligência artificial e de recursos de análise de dados demonstra como a tradição familiar pode caminhar junto com a inovação.

O conhecimento acumulado ao longo das gerações continua sendo essencial, mas passa a contar também com ferramentas que ajudam a organizar informações, acompanhar resultados e identificar oportunidades de melhoria.

A relação da família Beltrame com a COPLACANA também faz parte dessa história.

Silvia recorda que acompanhava o pai nas idas à cooperativa para a compra de insumos, criando desde cedo uma ligação com a cooperativa.

Atualmente, é coordenadora do Núcleo Jovem.

“Ele me levava na COPLACANA para fazer a compra de insumos, conheço a cooperativa desde muitos anos atrás”, contou.

Essa convivência atravessou diferentes fases da agricultura e acompanhou a evolução das necessidades dos produtores.

Se antes o desafio estava em realizar as atividades com poucos recursos e muito trabalho manual, hoje também envolve gestão, tecnologia, produtividade e planejamento de longo prazo.

Nesse cenário, o cooperativismo contribui para aproximar produtores, oferecer suporte e facilitar o acesso a soluções importantes para a atividade rural.

A experiência da família Beltrame mostra como essa parceria pode acompanhar diferentes gerações, respeitando a história de cada propriedade e ajudando a preparar seus próximos passos.

Silvia tem um filho, Thomas, e procura transmitir a ele o mesmo vínculo com o campo que recebeu de seu pai.

Para ela, a sucessão familiar não acontece apenas pela transferência de responsabilidades: é preciso que as novas gerações compreendam o significado daquele trabalho e desenvolvam sua própria relação com a atividade rural.

A experiência de acompanhar José Alceu durante tantos anos ensinou que a produção agrícola exige muito mais do que conhecimento técnico.

São necessárias dedicação, resiliência e disposição para enfrentar as dificuldades que fazem parte da rotina de quem vive da terra.

“É muito amor e dedicação, afinal não é fácil. É isso que queremos para o sucessor, que ele tenha a mesma paixão para que ele não desista diante de alguma dificuldade. Afinal, há um legado muito maior a ser continuado”, afirmou.

Silvia também guarda na memória os dias em que via o pai chegar em casa depois de longas jornadas de trabalho, muitas vezes com mais de 12 horas dedicadas à propriedade.

São lembranças que reforçam a dimensão do esforço necessário para construir e manter uma história no campo.

A história da família Beltrame traduz o significado de construir o futuro sem perder as próprias raízes. “Quero isso para meu filho e meu sobrinho.

Aqui há muito amor, muito suor. Então que eles sejam fortes o suficiente para continuar isso”, completou.