
“A cana dá certo, é uma raiz abençoada.”
A frase dita por Valdemar Guerini resume uma vida inteira dedicada ao campo e a essência de uma família que transformou trabalho duro em legado.
Aos 96 anos de idade, Valdemar carrega oito décadas de experiência no cultivo da cana-de-açúcar e uma história profundamente ligada à agricultura, à família e ao cooperativismo.
Cooperado atendido pela filial COPLACANA em Cerquilho/SP, ele viu o Agro evoluir, acompanhou o crescimento da cooperativa e construiu, ao lado dos filhos, uma trajetória de honestidade, simplicidade e perseverança.
Nascido em Porto Feliz/SP, em 16 de novembro de 1929, Valdemar Guerini começou a trabalhar ainda muito jovem, atuando também nos municípios de Elias Fausto/SP e Tatuí/SP.
Em 1946, iniciou sua trajetória agrícola na Fazenda Carvoeira, de João Veronezi.
Filho de trabalhadores humildes, ele relembra os desafios enfrentados nos primeiros anos.
Antes da cana, a família tentou cultivar algodão em uma área de 2,5 alqueires, mas a lavoura foi prejudicada pelo pulgão. Foi então que a cana-de-açúcar entrou definitivamente na vida da família.
Até 1996, teve como sócios os irmãos Jurandir Guerini, que atualmente mora em Goiás, José Emilio Guerini, de Tatuí/SP, e Antonio Guarino, já falecido.
O filho de Antonio, José Antonio, também cooperado COPLACANA, deu continuidade à ligação da família com o cooperativismo e com a agricultura.
“Meu pai queria que eu estudasse, mas tudo era muito difícil”, recordou.
Mesmo diante das limitações da época, Valdemar nunca perdeu a esperança de crescer.
A ligação com o pai, José Guerini, foi determinante em sua formação.
“Eu era muito ligado ao meu pai, duvido que haja um entrosamento melhor que o nosso”, ele completou.
Com o passar dos anos, a cana transformou a realidade da família.
O menino que andava descalço e saiu do pouco conquistou patrimônio, prosperidade e oportunidades para os filhos.
“Sou filho de boia-fria, não tinha nada. Saí do pouco e prosperei. Comprava um sítio por ano.”
Ao se casar, Valdemar fez uma promessa a si mesmo: seus filhos teriam estudo e oportunidades.
“Falei para meu pai que eles seriam doutores, engenheiro, médico e advogado. Eu fiz um trato com eles, para que estudassem. Todos se deram muito bem. Tive sorte.”
Pai de cinco, Valdemar incentivou todos a estudarem.
Dois permaneceram diretamente na atividade agrícola, enquanto os demais seguiram suas profissões.
Ele acredita que o maior legado deixado para a família é o valor do trabalho em primeiro lugar.
Raízes firmes, legado que atravessa gerações
A relação da família Guerini com a COPLACANA atravessa gerações. José Guerini, pai de Valdemar, foi um dos primeiros Cooperados da cooperativa.
“Estive com ele na abertura da COPLACANA, em Piracicaba/SP, e lembro muito bem de Domingos José Aldrovandi, grande líder da cooperativa”, contou Valdemar.
Ao longo das décadas, a parceria se fortaleceu.
Segundo ele, a cooperativa esteve presente nos momentos importantes da propriedade.
“Sempre fui bem atendido na COPLACANA. Meu primeiro trator foi a cooperativa que me ajudou a conquistar.”
A chegada da filial de Cerquilho/SP também foi um avanço importante para a família, trazendo mais proximidade e suporte técnico ao dia a dia do campo.
O vínculo entre pai e filho continuou forte na geração seguinte. Valdemar Guerini Filho, conhecido como Mazito, de 74 anos, cresceu acompanhando o trabalho do pai e transformou seus ensinamentos em princípios de vida.
“Meu pai era muito chegado do pai dele, e eu sou igual com ele.”
Mazito conta que se espelhou no pai em tudo o que pôde.
“Trabalho, honestidade, respeito. Ele é um ótimo professor.”
As lembranças da infância no sítio ainda permanecem vivas: as longas caminhadas até a escola, os pés descalços e o hábito de levar o jornal para leitura.
E a relação com a COPLACANA também acompanhou sua trajetória desde cedo.
“Meu pai comprava adubo, herbicida na COPLACANA.” Ele também destaca a importância do atendimento técnico realizado pela equipe da cooperativa, especialmente pelo CTeV (Consultor Técnico e Vendas) Vanderlei Junior. “Somos muito bem atendidos.”
Hoje, Mazito vê a continuidade do legado também dentro da própria família. Sua filha mais velha é advogada e atua junto ao negócio familiar.
“A agricultura significa tudo para nós. Nunca fizemos outra coisa na vida. É o que sabemos”, falou.
O filho mais novo de Valdemar, Pedro Guerini, de 53 anos, também escolheu permanecer no campo e dar sequência à história da família. “Desde sempre fui agricultor.”
Com formação em colégio técnico agrícola, Pedro seguiu os passos do pai e do irmão, mantendo a tradição no cultivo da cana-de-açúcar e investindo, também, no cultivo de soja, ampliando a produção e modernizando as atividades da propriedade.
Pedro reforça a importância da assistência da COPLACANA no dia a dia da lavoura.
“Temos o privilégio de ser atendidos pelo Juninho. A cooperativa tem tudo o que precisamos para executar nosso trabalho.”
Muito além da atividade econômica, ele define a agricultura como uma missão de vida.
“Agricultura é vida. Não só pelo motivo financeiro, mas por amor também. Cuidamos muito bem da nossa lavoura.”
A sucessão familiar também segue forte entre as novas gerações.
Pedro é pai de dois filhos: Pedro Luis Guerini Filho, 26 anos, que já atua ao lado da família nas atividades agrícolas, e Gabriel Henrique Guerini, 20 anos, que cursa Engenharia Agronômica na Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), mantendo viva a conexão da família Guerini com o agro.
A história da família Guerini é exemplo de como a agricultura pode transformar gerações.
Entre dificuldades, conquistas e muito trabalho, Valdemar construiu uma trajetória inspiradora que hoje segue viva nos filhos, netas e na continuidade do negócio familiar.
Uma caminhada construída com simplicidade, união e confiança no campo.
E, depois de 80 anos plantando cana, Valdemar segue convicto daquilo que aprendeu ao longo da vida: “a cana é uma raiz abençoada.”










