
A história do cooperado da COPLACANA Glauber Roberto de Moraes, conhecido por todos como Binho, é marcada por tradição, trabalho, amor pela agricultura e um legado familiar que atravessa gerações.
Entre plantações, tratores, pesquisas e valores construídos dentro da família, a trajetória do produtor rural revela como o campo une conhecimento, perseverança e paixão pela terra.
Muito antes de Binho assumir a própria caminhada no agronegócio, sua história já começava a ser escrita pelas mãos da família Moraes.
Seu avô, Bento Alves de Moraes, era sócio do bisavô em uma propriedade localizada em Chavantes/SP.
Foi nesse meio rural que nasceram as conexões da família com o campo.
O pai de Binho, João Luis de Moraes, nasceu em Chavantes/SP.
Mais tarde, a família adquiriu a Fazenda São José, em Anhumas/SP.
Os avós tiveram seis filhos e mantiveram uma forte ligação com Piracicaba, cidade de sua avó, Lucia Araujo de Moraes, que também marcou profundamente a trajetória da família.
João Luis de Moraes teve uma juventude ativa e chegou a jogar pelo tradicional Esporte Clube XV de Piracicaba. Mas foi na agricultura que encontrou seu propósito.
Frequentador assíduo da loja da COPLACANA em Piracicaba/SP, ele se encantava pelos jornais e artigos técnicos sobre agricultura.
O interesse era tanto que os materiais chegaram a ser transformados em um livro, com o qual João carregava sempre por onde ia, uma demonstração do quanto o conhecimento sempre teve valor dentro da família.
Em 1958, João Luis formou-se em Agronomia pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), referência nacional.
Pouco tempo depois, um tio da família — também agrônomo e atuando na Secretaria do Estado em São Paulo — ajudou João Luis a ingressar no Instituto Biológico.
Em 1960, ele seguiu para o Instituto Florestal de São Simão/SP, cidade onde conheceu aquela que se tornaria sua companheira de vida.
A mãe de Binho construiu uma trajetória igualmente admirável.
Professora dedicada, formou-se em Sociologia e História, tornando-se Delegada de Ensino, Diretora Escolar e Supervisora.
Juntos, os pais formaram uma família baseada em educação, valores humanos e trabalho.
Na fazenda do Estado onde o pai morava, havia viveiros, produção de mudas e pesquisas florestais.
Pessoas de diversas regiões visitavam o local para conhecer os projetos desenvolvidos ali.
O ambiente despertava curiosidade, aprendizado e inovação, elementos que mais tarde fariam parte da vida de Binho.
Visionário, João Luis expandiu suas atividades para a extração de óleo essencial do eucalipto.
Após adquirir uma área de aproximadamente 100 alqueires para o cultivo florestal, conseguiu recursos para comprar a atual fazenda na região de Santa Cruz das Palmeiras/SP.
Inicialmente, a propriedade foi arrendada.
Depois, veio o projeto de pecuária leiteira.
Já em 1993, a cana-de-açúcar passou a fazer parte definitiva da história da família.
Foi nesse universo que Binho cresceu.
Desde pequeno, acompanhava o pai em todas as atividades do campo.
A agricultura nunca foi apenas um trabalho: era parte da rotina, da convivência e da identidade familiar.
O que mais despertava seu interesse era a mecanização agrícola e a tecnologia aplicada no campo.
“Tudo é importante na agricultura”, relembrou.
Ainda muito jovem, seguia os passos do pai pelas áreas da fazenda, pelos viveiros, tratores e cavalos.
Aos 16 e 17 anos, já comprava e vendia gado, acumulando experiência prática antes mesmo da formação profissional.
Mais tarde, formou-se em Agronomia, vocação construída desde a infância.
A rotina nunca foi fácil.
Depois da escola, o destino era a fazenda.
O aprendizado vinha no dia a dia, na observação e no trabalho.
Enquanto muitos jovens tinham outros interesses, Binho estava focado no campo e na evolução da propriedade.
Mas além das técnicas e do conhecimento agrícola, o maior ensinamento veio dos valores familiares.
“Meu pai me passou calmaria, honestidade e a importância de ajudar as pessoas”, destacou.
Com dedicação e visão de crescimento, a propriedade evoluiu ao longo dos anos.
Hoje, a estrutura conta com todas as máquinas voltadas ao preparo de solo, tratos culturais, além de conservação de solo e tratamento fitossanitário.
A ligação com a COPLACANA também atravessa gerações.
Desde criança, Binho acompanhava os avós nas visitas à cooperativa em Piracicaba/SP.
A relação construída ao longo do tempo tornou-se parte fundamental do desenvolvimento da propriedade.
“A COPLACANA sempre esteve presente na minha vida e cresceu muito ao longo do tempo”, afirmou.
Ele relembra que já foi um dos maiores compradores da cooperativa e destaca o atendimento, os preços competitivos e o suporte técnico oferecido ao produtor rural.
Um exemplo é o acompanhamento constante realizado pelo consultor técnico e vendas, Diego Donizeti Zanoti, que visita a propriedade semanalmente.
Segundo Binho, os trabalhos realizados no manejo contribuíram significativamente para a melhoria do canavial.
“A gente aplicou inseticida, fez testes e a cana ficou limpa”, comentou.
Para ele, a agricultura exige persistência, conhecimento e resiliência diária.
“A agricultura não é para qualquer um. Temos que acreditar, entender de tudo e não desistir.”
Hoje, além de cuidar da produção e dar continuidade ao legado da família, Binho também vê nascer uma nova geração apaixonada pelo campo.
Seu filho recebeu o nome Bento, em homenagem à tradição familiar que já soma oito ou nove “Bentos” ao longo das gerações.
Com apenas dois anos de idade, o pequeno já demonstra afinidade com a vida no campo.
“Ele ama trator, não quer saber de dinossauro”, contou Binho, sorrindo.
Entre histórias de família, tradição agrícola, evolução tecnológica e valores que resistem ao tempo, a história de Glauber Roberto de Moraes representa a continuidade de um legado construído com trabalho, união e amor pela agricultura brasileira.










